A Época publicou uma matéria sobre os medicamentos que o SUS só fornece por ordem judicial. É um texto estranho, que tenta chamar a atenção para a "injustiça" de alguns pacientes terem mais recursos destinados a si do que dezenas de outros anualmente. Por outro lado, as declarações dos políticos ligados à saúde citadas são bestiais - como chamar de "indústria" advogados que se especializam em conseguir os remédios receitados e dar a entender que os médicos só receitam esses tratamentos porque recebem subornos das farmaceutícas.
No caso particular do personagem da matéria, a coisa se complica um pouco: há um outro tratamento possível e mais barato: o transplante de medula. Embora também não sej simples, não é como se a única alternativa para ele fosse receber 800 mil em medicamentos anualmente. Talvez fossem necessárias regras mais claras para determinar que caminhos o paciente devesse percorrer antes de ter acesso a esses medicamentos mais caros.
É fato que o dinheiro sai de algum lugar e que não é infinito. Mas acusar esses pacientes de cometerem alguma injustiça é absurdo: não é somente por falta de recursos que o Brasil ainda lida com doenças facilmente curáveis ou tratáveis.
Um problema grave da matéria é colocar os gestores como boas almas que são "forçados" a tirar recursos de outros lugares. Ah como eles queriam ajudar mais pessoas se esses terríveis processos não atrapalhassem!
ResponderExcluirA matéria falha em não mostrar que nem todo mundo que ganha medicação por ordem judicial faz tratamento no Sírio, muitos sofrem grandes entraves pra conseguir as medicações e, pasmem, a saúde pública não seria absolutamente melhor. Quanto mais o gestor puder economizar com saúde...